i mean things change



as lágrimas ainda não pararam de balançar em meus olhos, muitas escorrerem de tão pesadas ser, mas aquelas que doem, que doem mesmo ainda cá estão, porque com ele aprendi a ser forte. eu quero ligar e dizer-lhe que o amo e que sem ele apenas existo. eu preciso de o abraçar. eu quero que se cale e me oiça, quero que saiba que estou a sofrer e desde que tudo aconteceu eu não dormi nem parei de chorar. que me olhe nos olhos e veja o quanto me está a doer o peito, se olhar - e não é preciso ser muito fundo - vai entender que me magoou, mas vai perceber também que eu daria a vida por ele.  eu amo-o, amo-o tanto, mas eu não sou mais aquela rainha, ele foi-me tirando o trono, fez-me  cair quando deveria me manter no topo. eu queria acordar, e ver que isto foi só um sonho, mas não, é a realidade. e quando disse que era o homem da minha vida eu não estava a brincar, e agora sinto-me desamparada, sinto-me sozinha. não foi homem para me provar a única coisa que eu não queria: que é capaz de viver sem mim e que há alguém mais importante que eu. E agora? e quando te vês obrigado a esquecer, a deixar, a abandonar? a desistir? o que fazes? as noites continuam a ser do mesmo tamanho, os dias continuam a ter o mesmo sabor? as horas passam mais rápido ou cada vez mais devagar? consegues dormir? consegues adormecer sem o peso na alma? sem uma vontade enorme de cometer algo que te acabe com a dor, com o peso, com a dormência, com a vontade de chorar? consegues dormir, sem em qualquer momento desatares a chorar, sem saber muito bem porquê? o teu coração continua intacto, solto, desprendido de qualquer sentimento, ou nem sequer o sentes? não sentes sequer a dor, o sufoco na garganta, as pernas a tremer de tanto medo? Medo do que se aproxima, do que ainda está para vir. não sentes medo? não sentes a respiração mais pesada, mais forçada? não forças o riso? não forças a vontade de rir, puxando-a do mais fundo de ti, para que tudo pareça eventualmente um mar de rosas? não dás a entender que és a pessoa mais feliz do mundo, para evitar as habituais perguntas que tanto te chateiam e que tu não consegues responder? não choras todos os dias em silencio, num recanto, sem que ninguém te veja? não há um único dia em que deixes de chorar, de te martirizar, de dizer que esqueces e no final só lembras ainda mais? não há um único dia em que  gritas em voz alta que tudo vai passar, que o tempo é o teu amigo, e que a dor se cansará? não há um único dia em que consigas ser optimista e dizer que estás bem, ao ponto de todo o mundo te ouvir? vá, diz-me que não sou a única a sentir isto. diz-me.

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