há momentos que eu gostava de saber o que está
delineado no futuro antes mesmo de tomar alguma decisão. seria mais fácil.
tenho a plena noção que não aprenderia tanto, mas ajudava. creio que haveria
certos impulsos que eu não teria feito. mas afinal de contas não somos capazes
de estipular o que vem das nossas escolhas porque uma pequena mudança na
trajetória do vento pode fazer com que o que julgávamos certo transforme-se na
maior incerteza. as pessoas por mais que mintam na minha cara eu tenho a plena noção
quando o estão a fazer por isso há momentos que gostava de olhá-lo nos olhos e
fazer-lhe todas as perguntas que eu tenho guardadas e que me corroem por
dentro. no entanto há momentos que eu apenas gostava de apagar a existência
dele. torna-se difícil entender-me a mim própria. não sou uma heroína
e este tipo de sentimentos é para super-heróis. as pessoas não entendem como é
que alguém em pouco tempo se pode transformar em tanto, eu também não entendia
até acontecer comigo. mas enquanto eu larguei o passado houve alguém que
se agarrou a ele, abraçou-o e nem deu a oportunidade a si mesmo de construir no
presente porque no fundo sempre teve esperança que o que desmoronou
anteriormente se voltasse a reconstruir. e com isso eu não podia competir. como
é que o conseguiria fazer? competir contra uma história que por mais baixos que
tivesse tido foi a história que tu mais amaste de fazer parte e de ser
personagem principal. e comigo o que tinhas? imagens, vontade, sorrisos e
conversas. mas ao pé de tudo aquilo, pelos vistos, não tinha valor. gostava de
ter sido como tu, capaz de esfriar a cabeça e congelar tudo. mas sabes que
mais? não fui. e não sou capaz de competir contra tudo isso. mas por
mais incrível que pareça, eu estou orgulhosa de mim própria afinal de
contas não te tenho dito nada, não me tenho massacrado em mandar-te mensagem
para, por mais que receba outra de volta, não conseguirmos ter uma conversa.
magoa tanto saber que passamos de tudo a nada de uma só vez e numa só jogada.
magoa ainda mais por a hipótese de não ter sido tão real e tão sincero como
dizias ser. "nunca me apeguei tanto a uma pessoa como a ti" ainda me
lembro das minhas palavras nesse dia. mas sabes que mais? a pequenina cresceu e
tornou-se demasiado grande para os teus braços. e a pouca força dela já não a
faz tremer porque já não é ela a cuidar do mundo. eu não vou mentir dizendo que
não tenho saudades tuas e que não significas nada. porque fazes-me uma falta
tremenda. porque disseste que não eras igual e no final conseguiste fazer ainda
pior. eu não estou desiludida contigo, estou desiludida comigo mesma. provavelmente
estás a conseguir ler-me a mente por as palavras que estou a soltar
silenciosamente nos espaços que aqui encontras, mas se o estás a fazer é porque
eu estou a deixar. podias apenas começar por me ensinar a tirar alguém da
cabeça e do coração e sim estou-te a perguntar a ti como se faz, porque és pró
nessas coisas. pelo menos foi a ideia com que fiquei. sabes o que me faz rir de
mim própria no meio disto tudo? é eu saber que tu já não te importas mas mesmo
assim tentar explicar-me. é mesmo assim eu estar com saudades tuas quando tu já
nem te lembras que existo. vou estar constantemente com uma luta entre o botão
de enviar e a desistência, mas espero que isto um dia acabe. afinal de contas
até tu acabas-te comigo mesma! se me protegi a mim própria do mundo com esta
capa de frieza? bem provável, eu também sei esquecer, ignorar e
(fingir) que não sinto falta! só isso!
era contigo que me imaginava assim, de mãos dadas na nossa velhice, mas depois lembrei-me, tenho apenas dezassete anos e a vida prega-nos partidas e talvez tenhas sido isso, apenas uma partida!
era contigo que me imaginava assim, de mãos dadas na nossa velhice, mas depois lembrei-me, tenho apenas dezassete anos e a vida prega-nos partidas e talvez tenhas sido isso, apenas uma partida!