Há uns tempos fiz uma promessa a mim mesma, promessa essa
que dizia que não me entregaria a ninguém, pois cada pessoa que entrava na
minha vida, saía dela sem dar qualquer explicação, e daí pude tirar uma lição
de vida. Depois de tantas desilusões, achava que aprendíamos a confiar,
entregávamo-nos um bocadinho menos, retraíamo-nos em relação ao que poderíamos
esperar ou não da outra pessoa e que nem sempre somos compreendidos quando
temos uma autodefesa para não sermos magoados.
Sempre fui uma rapariga fria, e não tenho orgulho nenhum em
dizer que falar dos meus sentimentos é bastante difícil para mim, mas sempre
percebi que é um assunto demasiado delicado para ser tratado com tanta
banalidade. Nunca fui de dizer no que estava a pensar, ou de dizer o que me ia
na alma, ou aquilo que me revira o coração sempre que falavas para mim, mas
ainda assim tentei mudar um pouco, ou pelo menos tentei aperfeiçoar-me porque
achei que eras demais para mim e que eu não te merecia. Como fazias parte do
meu presente (e como previa, do meu futuro), eu achava que não tinhas que pagar
pelas mágoas causadas no passado e pelas cicatrizes que outra pessoa teria
causado. Vi o teu lado pela primeira vez, expus-te os meus preciosos
sentimentos e a minha maneira de pensar numa forma mais clara que a água, tão
simples e descomplicada que, duma forma, senti-me despida, despida dos meus
medos, sentia-me frágil e vulnerável ao mostrar-te o meu “eu” a 100% (pela
primeira vez a alguém).
No entanto, tu não valorizaste o que te dei, não valorizaste
o meu esforço e muito menos a minha mudança, e dói saber que superei tudo isto
que me amedronta, em vão. Para quê ter-te dado tudo, se nenhum plano deu certo?
Se nada foi valorizado? Para quê, se só me mostraste ser como todas as outras
pessoas, que entraram na minha vida com um bilhete de ida e volta? Porque é que mudei? Porque é que me fizeste
mudar? Porque é que está tudo tão diferente?
Para quê?! Porquê?
Diz-me! Despertaste em mim sentimentos adormecidos há imenso
tempo, reviraste a minha vida de pernas para o ar e deixaste o meu coração numa
bagunça tremenda e não tinhas esse direito! Não tinhas o direito de me magoar
de tal forma! Terei de meter um muro entre nós que me impede de me magoar e de
te aproximares de mim? Agora? Para variar, mais uma vez, eu fiquei estática no
mesmo sítio e tu? Tu poderias, pelo menos, explicar-me as tuas atitudes.
Deves-me isso, depois de tanto ter chorado, depois de me teres partido o
coração, deves-me explicações. Por favor,
peço-te, explica-me as tuas atitudes, não me quero voltar a prender a ti e
voltar ao mesmo carrossel…
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